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Georges Dussaud

Douro de Georges Dussaud


Organizada pelo Museu do Douro em parceria com a Liga dos Amigos do Douro Património Mundial, no âmbito do 10º aniversário da classificação do Douro pela UNESCO, a exposição reúne fotografias a preto e branco, da autoria do fotógrafo francês Georges Dussaud, cujo trabalho sobre o Douro emerge de um fascínio único pela paisagem e quotidiano do Homem Duriense. Com início em Abril de 1985, esta mostra fotográfica capta não só o Douro das «paisagens vertiginosas» mas os rostos de quem as trabalha, de quem deixou a sua marca nas palavras ou no vinho, como é o caso de Miguel Torga ou José António Rosas. Em suma, esta exposição constitui um importante documento das paisagens e gentes do Douro.
Produção Museu do Douro

Filme documentário “O Ciclo da Vinha”, realizado por Vítor Bilhete (25’), edição Museu do Douro (exibição permanente)

Museu Nacional de Machado de Castro

Terça-Feira 18h00 (Inauguração)
Até 10 de Novembro
10h00-18h00 | Terça a Domingo

Nota: de 22 a 26 a exposição não estará acessível ao público.

Entrada Livre

DOURO

As terras frias do Barroso, em Trás-os-Montes, para além das montanhas, fizeram-nos abordar Portugal através do seu aspecto menos conhecido, rude mas também maravilhoso. Os livros de Miguel Torga acompanharam-nos ao longo das nossas andanças. Estávamos de tal forma enfeitiçados por eles que, muitas vezes, tínhamos a impressão de nos cruzarmos com as personagens dos seus contos (Contos da Montanha, Portugal…).Tivemos a oportunidade de o encontrar na sua terra natal de São Martinho de Anta.

Conhecedor do trabalho fotográfico realizado em Trás-os-Montes (que deu lugar a um primeiro livro em conjunto “Trás-os-Montes”, ed. Assírio & Alvim, 1984), fez questão em nos ajudar a descobrir o Douro com toda a sua paixão comunicativa. Foi uma experiência inesquecível percorrer com entusiasmo os seus locais preferidos, tornados míticos, como São Leonardo de Galafura, Panóias…

O Douro foi-nos apresentado em todo o seu esplendor mas também na sua inquietante beleza. Torga explicou-nos como o xisto havia sido partido à mão com um pé-de-cabra para, dessa forma, moldar estas paisagens em socalcos suportados por muros de pedra, verdadeiras obras de arte. Paisagens vertiginosas, até ao infinito, toda esta beleza tecida entre a natureza e o homem com a sua obstinação. Se o vinho é tão generoso, conhecido no mundo inteiro, ele simboliza o sangue da terra mas também o dos homens. (…)

Vimos o Douro a transformar-se de acordo com cada estação e este é um espectáculo que nunca nos cansa. A realização de um trabalho fotográfico que traduzisse a vida, o trabalho da vinha e dos homens, assim como toda a beleza da paisagem, exigiu tempo. O tempo também que tem moldado este Douro, “o tempo, esse grande escultor” (Marguerite Yourcenar).

Só podemos ficar assombrados perante o duro labor empreendido pelo homem face à imensidão da paisagem. Uma imagem resume a dureza do trabalho, representa o rosto de um jovem que carrega o seu pesado cesto de uvas com a mesma atitude com que Cristo carregou a sua cruz. (…)

Se nos interrogarmos frequentemente sobre o estado de coisas no mundo, podemos considerar que o Douro soube preservar a sua deslumbrante beleza e satisfazer assim a nossa necessidade de harmonia.

Christine Dussaud

Excertos do texto “Douro” publicado no livro que acompanha a exposição.

Georges Dussaud nasceu em 1934 em Brou, perto de Chartres, França.

Realiza a sua primeira exposição individual em Nantes, em 1978. Desde então apresentará com regularidade as suas fotografias na Bretanha, onde vive e trabalha actualmente.

A partir de 1980, começa a viajar e a fotografar de forma intensiva em países como a Grécia, Portugal, Cuba e Irlanda.

Participa em importantes encontros de fotografia na Europa, como os de Coimbra, Lisboa, Braga, Barcelona e também no México.

Em 1989, em Nova Iorque, é finalista do prémio Eugène Smith, tendo participado com o trabalho que realizara sobre Trás-os-Montes.

Em Portugal acompanha, por exemplo, as vindimas na região do Douro e alguns anos depois publicará, em 1993, um livro sobre este tema, com textos de Miguel Torga. Ainda sobre Portugal, as edições Marval publicam um livro que resume quinze anos de fotografias realizadas em regiões muito isoladas. Em 1997 é publicado o livro “Portugal Terra Fria”, com texto de António M. Pires Cabral, com edição da Assírio e Alvim. Em 2000, realiza em Lisboa, no Arquivo Municipal de Lisboa – Arquivo Fotográfico, a exposição “Portugal e Índia”, acompanhada por um catálogo com texto de Gérard Castello Lopes. No ano de 2002, realiza um trabalho sobre a cidade de Lisboa, encomendado pelos arquivos fotográficos da cidade, para a produção de uma colecção de 50 fotografias. Estas imagens fazem agora parte da coleção do Arquivo Fotográfico de Lisboa. Em 2005 apresenta em Bragança, no âmbito das Comemorações Nacionais do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, a exposição “Trás-os-Montes”, de que é editado um catálogo com textos de Gérard Castello-Lopes e José Rodrigues Monteiro. No ano de 2007, o Centro Português de Fotografia, no Porto, apresenta a primeira exposição retrospectiva do seu trabalho, intitulada “Crónicas Portuguesas”, representando 27 anos de viagens fotográficas em Portugal. Esta exposição percorreu várias cidades do país e ainda foi exibida em Paris, no Consulado Geral de Portugal (2010) e em Rennes (2011). É publicado o livro “Crónicas Portuguesas” pelas edições Assírio & Alvim, em Lisboa, em 2007, com texto de Christine Dussaud.

A pedido do Consulado de França, no Porto, do Departamento Cultural da Câmara Municipal do Porto e do Centro Português de Fotografia, inicia uma residência artística para realizar um trabalho a preto e branco sobre a cidade. A exposição sobre este trabalho é apresentada no Centro Português de Fotografia, em 2009. Neste mesmo ano, a Câmara Municipal de Lisboa encomenda-lhe um trabalho sobre os bairros e multiculturalismo de Martim Moniz e da Mouraria, traduzido numa exposição em formato gigante, sobre os edifícios do bairro de Martim Moniz.

Em 2012, inaugura a exposição “Douro de Georges Dussaud” no Museu de Lamego, em Portugal, produzida pelo Museu do Douro, a qual já percorreu várias cidades do país, tendo igualmente sido apresentada no Luxemburgo (Instituto Camões, Centro Cultural Português, em 2015). Esta exposição é acompanhada por um livro, com textos de Fernando Seara e Christine Dussaud.

No dia 25 de abril de 2013 é inaugurado o CENTRO DE FOTOGRAFIA GEORGES DUSSAUD (CFGD), em Bragança, com a exposição “Trás-os-Montes”. Até à presente data, foram várias as exposições apresentadas no CFGD, nomeadamente: “Tempo de Castanhas”(2015), “Obras Escolhidas: 1980 - 2014” (2016), “A Cidade e as Serras”(2017), trabalho fotográfico sobre a cidade e as aldeias do concelho de Bragança, todas com a curadoria de Jorge da Costa.

Em 2016, a exposição “Portugal” é apresentada no Espaço Miguel Torga, em S. Martinho de Anta, Sabrosa e no ano seguinte o 49º Salon D´Art Photographique – Ancien Evêche – Sarlat acolhe Georges Dussaud como convidado de honra e recebe a exposição “Trás-os-Montes”.

Em Outubro de 2017, estreia “Vestígio”, um espetáculo de Dança Contemporânea, com coreografia de Joana Providência, a partir da obra fotográfica de Georges Dussaud, no Teatro Municipal de Bragança.

Em 2018 /19, inaugura a exposição “A Norte do Norte”, no CFGD, apresentada no âmbito do Projeto “Plasti&Cine”, que homenageou o fotógrafo, através de um vasto programa de conferências, exposições, arte pública, dança, performances, música e teatro.

Desde de 2001 que é representado pela galeria Esther Woerdehoff, em Paris.

Créditos Christine Dussaud, Setembro 2019

FICHA TÉCNICA

Organização
LIGA DOS AMIGOS DOURO PATRIMÓNIO MUNDIAL

Coordenação Geral
MUSEU DO DOURO

Fotografia
GEORGES DUSSAUD

Apresentação
CHRISTINE DUSSAUD

Design Gráfico
HELENA LOBO DESIGN

Tradução
LINGUAEMUNDI TRADUÇÕES

Execução Gráfica
RAÍNHO & NEVES

“O CICLO DA VINHA”, filme documentário realizado por Vítor Brilhante

Imagem do filme "O Ciclo da Vinha"

Centra-se no coração do vinhedo, objectivando a diversidade da paisagem vinhateira da Região do Douro, ao longo do vale e ao longo das estações.

A paisagem do Alto Douro vinhateiro, hoje Património Mundial da Humanidade, é um dos mais belos exemplos da intervenção humana na natureza elevando o ambiente à categoria de obra de arte. Fruto de séculos de trabalho duro de gente dura e persistente, o Douro que hoje admiramos continua a ser modelado pelo Homem, com o único objetivo de produzir as uvas que serão transformadas nos seus célebres vinhos.

Pretendeu o Museu do Douro com este filme fazer um “zoom” à paisagem e mostrar perto como ela é trabalhada ao longo do ano, ano após ano: grandes e pequenos proprietários, jornaleiros e engenheiros pedreiros e outros artistas dedicam as suas vidas à construção de plataformas de terreno onde possam plantar as videiras de que dependem. Desde a preparação do terreno, o plantio dos bacelos, a enxertia, os tratamentos contra as doenças, a condução das videiras, a vindima, tudo obedece às estações do ano. Os métodos e os meios são diversos, mas a motivação é a mesma: garantir a mais alta qualidade das uvas que em Setembro serão enviadas para o lagar, fechando o ciclo da vinha.

Duração: 25’
Realização: Vítor Bilhete
Produtor Executivo: José Monteiro

Edição Museu do Douro, 2003

Fundação Museu do Douro, F.P
Rua Marquês de Pombal
5050-282 Peso da Régua
Tel. +351 254 310 190

geral@museudodouro.pt www.museudodouro.pt

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