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Conversa sobre “As Vinhas da Ira”, de John Steinbeck

com Maria José Canelo


Uma apresentação que situa o romance clássico As Vinhas Da Ira, de John Steinbeck (1939) no contexto histórico e social da sua publicação e em paralelo com a actualidade. Como qualquer clássico merecedor do nome, o romance de Steinbeck permite-nos encontrar os seus protagonistas em qualquer família de migrantes da América Central actualmente, os que continuamente arriscam as vidas para entrar nos Estados Unidos, também eles refugiados climáticos e sobreviventes da miséria económica, que, apesar da perseguição, facilmente encontram trabalho nas mesmas vinhas e pomares onde latejava a ira há cerca de um século atrás.

Seminário Maior de Coimbra
Sexta-Feira 18h30
Entrada Livre

“Nos olhos dos homens reflecte-se o malogro. Nos olhos dos esfaimados cresce a ira. Na alma do povo, as vinhas da ira crescem e espraiam-se pesadamente, pesadamente amadurecendo para a vindima”.

Uma apresentação que situa o romance clássico As Vinhas Da Ira, de John Steinbeck (1939) no contexto histórico e social da sua publicação e em paralelo com a actualidade. Não se tratando de uma obra que retrate a produção vinícola especificamente, esta acaba por ser um símbolo integrante do romance, como integra também o mito de riqueza e abundância facilmente deslocado para a Califórnia depois da corrida ao ouro. O estado da Califórnia é, por si só, nem mais nem menos que a 6ª economia mundial, em larga parte devido à produção agrícola. O romance de Steinbeck retrata todavia uma faceta bem diferente do mito celebratório, ao representar um sistema de opressão e violência com pilares sólidos na história do Oeste, mas cuja naturalidade só foi questionada quando esse sistema passou a explorar e a descriminar também cidadãos plenos, americanos tão brancos como aqueles que os escorraçavam. Como qualquer clássico merecedor do nome, o romance de Steinbeck permite-nos encontrar os Joad em qualquer família de migrantes da América central actualmente, os que continuamente arriscam as vidas para entrar nos Estados Unidos, também eles refugiados climáticos e sobreviventes da miséria económica, que, apesar da perseguição, facilmente encontram trabalho nas mesmas vinhas e pomares onde latejava a ira há cerca de um século atrás. De obra maldita a obra prima que leva Steinbeck ao reconhecimento do Nobel, também será importante reflectir acerca do que As Vinhas Da Ira nos pode dizer sobre o envolvimento do escritor e da literatura em questões de justiça social.

Maria José Canelo é Professora Auxiliar na Secção de Estudos Anglo-Americanos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e investigadora do Centro de Estudos Sociais desde 2002, integrando o Núcleo de Humanidades, Migrações e Estudos para a Paz; obteve os graus de mestrado (em Estudos Anglo-Americanos) e licenciatura (em Línguas e Literaturas Modernas - Inglês e Alemão) na Universidade de Coimbra e doutorou-se em Estudos Americanos na Universidade de Nova Iorque. Dirige há já alguns anos a revista científica eletrónica e-cadernos ces, é coordenadora do programa de 2º ciclo em Estudos de Cultura, Literatura e Línguas Modernas, na FLUC, no qual também lecciona, bem como na Licenciatura em Línguas Modernas e no 2º ciclo em Ensino de Inglês. Tem publicado em áreas que coincidem com os seus interesses de investigação: os estudos americanos e interamericanos, os estudos literários e culturais e os estudos visuais, sobre questões de identidade nacional e cidadania, revistas literárias modernistas e interculturalidade.

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